Terminei de Ler: The Kiss of Deception


The Kiss of Deception
Crônicas de Amor e Ódio # 1

Autora: Mary E. Pearson
Páginas: 406
Editora: DarkSide Books

Tudo parecia perfeito, um verdadeiro conto de fadas menos para a protagonista dessa história. Morrighan é um reino imerso em tradições, histórias e deveres, e a Primeira Filha da Casa Real, uma garota de 17 anos chamada Lia, decidiu fugir de um casamento arranjado que supostamente selaria a paz entre dois reinos através de uma aliança política. O jovem príncipe escolhido se vê então obrigado a atravessar o continente para encontrá-la a qualquer custo. Mas essa se torna também a missão de um temido assassino. Quem a encontrará primeiro? 
Quando se vê refugiada em um pequeno vilarejo distante o lugar perfeito para recomeçar ela procura ser uma pessoa comum, se estabelecendo como garçonete, e escondendo sua vida de realeza. O que Lia não sabe, ao conhecer dois misteriosos rapazes recém-chegados ao vilarejo, é que um deles é o príncipe que fora abandonado e está desesperadamente à sua procura, e o outro, um assassino frio e sedutor enviado para dar um fim à sua breve vida. Lia se encontrará perante traições e segredos que vão desvendar um novo mundo ao seu redor.
O romance de Mary E. Pearson evoca culturas do nosso mundo e as transpõe para a história de forma magnífica. Através de uma escrita apaixonante e uma convincente narrativa, o primeiro volume das Crônicas de Amor e Ódio é capaz de mudar a nossa concepção entre o bem e o mal e nos fazer repensar todos os estereótipos aos quais estamos condicionados. É um livro sobre a importância da autodescoberta, do amor, e como ele pode nos enganar. Às vezes, nossas mais belas lembranças são histórias distorcidas pelo tempo.

*****

Lia é a princesa de Morrighan, tem apenas 17 anos e está prometida em casamento ao príncipe do reino de Dalbreck. Não bastasse isso, ela é a única entre os filhos da família real que tem esse tipo de "responsabilidade" com seu reino: seus irmãos podem escolher quando e com quem irão se casar. Tudo que ela queria era uma vida livre das obrigações que ser da realeza impõe, e é por isso que ela foge no dia do casamento acompanhada por sua fiel amiga e criada Pauline.

pág.31
O príncipe de Dalbreck não se conforma com isso, mesmo que ele também não estivesse querendo se casar. Afinal de contas, como uma mulher foi mais inteligente e teve mais iniciativa do que ele? Por isso ele pega seu cavalo e vai atrás dela, sem nem saber direito o que fazer caso a encontre.
O reino de Venda não vê com bons olhos a aliança entre os reinos de Morrighan e Dalbreck, e por isso envia atrás da princesa fugitiva um assassino treinado, com uma única missão: encontrar a princesa e cortar seu pescoço.
Após uma longa jornada, Lia e Pauline chegam a Terravin, uma cidade linda cheia de casinhas coloridas, e começam a trabalhar em uma taberna servindo mesas, até que um belo dia chegam dois forasteiros, Kaden e Rafe, à cidade e Lia vai servir a mesa deles. Ela fica encantada com a atenção que eles lhe dão, além, é claro, da beleza deles, cada um à seu modo: um é loiro e outro moreno, um tem olhos escuros e outro azuis, um parece um pescador e outro parece um mercador. Bom, isso é o que Lia pensa, e como eles acabam se instalando na hospedaria contígua à taberna, ela passa a conviver com eles diariamente sem desconfiar que na verdade eles são o príncipe e o assassino que saíram à sua procura.

pág.80
 Com o passar do tempo a interação entre Lia, Kaden e Rafe se intensifica, inclusive porque é a primeira vez que ela se encontra com rapazes de idade próxima à sua sendo apenas Lia, e não a princesa, então ela possui mais liberdade até para flertar com eles. Mas ao mesmo tempo em que Lia finalmente começa a ter uma vida normal, outras coisas estão acontecendo no reino e ela precisa tomar uma difícil decisão. Nesse ponto, o assassino não pode mais esconder quem ele é na verdade e a história toma um novo rumo.

pág.271
A história é nitidamente dividida em duas partes: uma enquanto Lia está em Terravin, conhece os rapazes e se interessa por ambos (mas mais fortemente por um deles). A outra parte começa quando o assassino contratado revela sua real identidade, e uma nova jornada tem início, então além da diferença na relação entre eles, há uma mudança de cenário também, por isso essa mudança é tão marcante. 
Além de tudo isso, os personagens amadurecem bastante com o decorrer da história, especialmente Lia. Ela deixa de ser apenas mais uma adolescente revoltada com as imposições que foram feitas a ela e começa a se descobrir como mulher, tendo que fazer escolhas cada vez mais difíceis, assumir responsabilidades e até lidar com seu primeiro amor. Segundo a tradição, as Primeiras Filhas de Morrighan possuem um dom, e Lia também começa a descobrir mais sobre isso e sobre si mesma.

pág.319
A história toda é bem descritiva, mas não cansativa. Podemos imaginar perfeitamente os cenários e os personagens interagindo, e nem vemos o tempo passar durante a leitura, mas um ponto que devemos levar em consideração é a divulgação do livro. Na embalagem plástica do livro, há um "selo" que diz: "A força feminina com um toque de Jane Austen & Kiera Cass". De fato, há uma grande força feminina presente na história, não apenas com relação ao dom das Primeiras Filhas, mas também da união entre as outras mulheres que aparecem na história: todas elas estão dispostas a se ajudar e compartilhar sua sabedoria, mas confesso que isso as vezes me pareceu meio forçado. Com relação ao toque de Kiera Cass, a semelhança é bem nítida em vários pontos: na personalidade da protagonista, seu auto-descobrimento, seu primeiro amor, assunção de suas responsabilidades, etc. Porém,  não notei nenhuma semelhança com a escrita de Jane Austen na história (e confesso que isso foi um dos pontos que fez comprar o livro). Não há críticas à sociedade, como normalmente encontramos nos livros de Austen, nesse caso o que encontramos é uma crítica aos costumes do reino, então não podemos classificá-los como se tratassem da mesma coisa. Talvez tenha alguma semelhança com alguma outra característica de Austen que eu não percebi, afinal, não sou nenhuma especialista, porém achei que a divulgação dessa forma foi um pouco forçada.

pág.297
De forma geral, esse livro pode ser considerado um ótimo YA (young-adulto), tendo como público alvo pessoas com idade próxima a de Lia. Essa "recomendação de faixa etária" se dá tanto pela idade da protagonista, quanto pelas "aventuras" dela, mas, principalmente, pela forma de escrita. Não há palavras complicadas e frases complexas, é tudo muito simples e direto, mas nem por isso perde o encanto. A descrição física dos personagens e dos cenários é objetiva, sem enrolações, o que dá um ritmo bom para a leitura. As escolhas e pensamentos de Lia são condizentes com sua idade e personalidade (inconsequente, às vezes insegura outras vezes determinada). Se formos com muita sede ao pote, esperando encontrar uma obra como as de Jane Austen, provavelmente sairemos decepcionados, mas se esquecermos isso e o lermos apenas pelo livro que é, provavelmente teremos várias horas de distração com uma história que consegue ser romântica e empolgante na medida certa.

pág.119
A história é escrito toda em 1ª pessoa, sendo a maioria dos capítulos do ponto de vista de Lia, mas temos alguns capítulos de Rafe e Kaden também. E os diálogos são indicados por aspas, como no trecho acima, diferente da maioria dos livros, mas isso não chegou a me incomodar. O que realmente me incomodou é o fato de que todo mundo chama a garota da capa do livro de Lia, mas na verdade acho que seria a Pauline... Dá só uma olhada nesses trechos e tire suas próprias conclusões:

pág.14 e pág.55
Bom, acho que era isso que eu tinha pra dizer pra vocês. Até a metade da história, o ponto alto é tentarmos descobrir quem é o príncipe e quem é o assassino e por vezes a história acaba ficando meio monótona, sendo apenas mais um romance adolescente enrolado. Mas após as identidades serem reveladas, a história fica mais emocionante com tentativas de fugas, salvamentos, outros assassinos e longas jornadas por terras desconhecidas, até que... o livro acaba !
Sim, você não leu mal. O livro acaba no que, pra mim, foi um dos pontos mais emocionantes da história. E agora uma noticia pior ainda: a continuação ainda não foi publicada aqui no Brasil. Só nos resta esperar e torcer para que não demore para descobrirmos os destinos de Lia, Kaden e Rafe.

Se quiser adquirir seu exemplar (e sofrer como eu, esperando pela publicação continuação), recomendamos esses sites:

AMERICANAS SUBMARINO

2 comentários

  1. Olá Diovana,
    Ótima resenha, parabéns. Estou lendo esse livro, e até aqui gostei muito. Não sabia dessa relação com Jane Austen. Com certeza a garota da capa é a Pauline, até porque a capa do segundo e terceiro livros nos EUA mostram uma garota de cabelos escuros, que com certeza é a Lia. E que encadernação maravilhosa da DarkSide! Amo essa editora!... até a próxima... bjos

    www.blogleituravirtual.com/

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    Respostas
    1. Olá Gustavo,
      obrigada! fui pesquisar as capas dos outros livros e me convenci de que a capa de KoD é com a Pauline, definitivamente... O fato de não ser a protagonista nem me incomoda, mas acho chato todo mundo chamar ela de Lia rsrs Já vi até comentários/respostas da Darkside chamando ela assim, e marcadores com uma Lia loira pra vender.. Dá aquela vontade de gritar: "Gente, a Lia não é loira!!" hahaha
      Espero que goste do livro, e quero ler sua resenha em breve! :*

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